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Quando o Poder Quebra as Regras: O Mundo em Xeque

  • Foto do escritor: Ana Maria G
    Ana Maria G
  • 3 de jan.
  • 2 min de leitura

Regras existem. E estão sendo quebradas.

O mundo não é um espaço sem normas. Existem regras, tratados internacionais, princípios de soberania e limites institucionais criados para conter o uso arbitrário da força. Essas regras não garantem a paz, mas criam uma referência mínima que permite a convivência entre Estados e protege populações.

Hoje, essas regras estão sendo sistematicamente violadas. Intervenções unilaterais, operações secretas e imposições estratégicas de grandes potências não respeitam os limites que elas mesmas ajudaram a criar. O poder substitui a lei, e a força se torna o instrumento de decisão, não a negociação nem a norma.

Defender regras não é defender ditadores. Significa preservar limites, garantir que nenhum Estado, por mais poderoso que seja, possa decidir sozinho o destino de outros povos. Existem métodos alternativos para auxiliar países sob regimes autoritários que respeitam a ordem internacional. Exemplos históricos mostram que isso funciona:

  • Pressão diplomática e sanções coordenadas: como as aplicadas contra a África do Sul no fim do apartheid, que ajudaram a abrir espaço para negociações internas sem intervenção militar direta.

  • Monitoramento internacional e apoio a organizações independentes: como o trabalho da ONU e de observadores eleitorais em eleições em países em transição, garantindo transparência e segurança.

  • Incentivo a processos eleitorais legítimos e diplomacia multilateral: como a mediação internacional em El Salvador e Nicarágua, que permitiu alternância de poder sem invasões externas.

Esses métodos são lentos e exigem cooperação, mas respeitam normas e evitam a lógica da força unilateral.

O problema surge quando grandes potências optam por medidas de força direta. Apresentam-se como defensores da democracia e da paz, mas ao ignorar regras, acabam reproduzindo os métodos que criticam nos regimes que dizem combater. A lógica do poder unilateral transforma-os em atores que se aproximam de ditadores em escala global, impondo interesses estratégicos em vez de princípios universais.

Como podemos concordar com potências que defendem uma “paz” quando, na prática, se espelham nos mesmos métodos que dizem combater? Defender regras significa resistir a esse ciclo, mesmo sabendo que a paz plena pode ser inalcançável. Significa preservar limites, integridade e referência, em um mundo em que a força ainda tende a decidir resultados.


Escrito por Ana Maria Galbier, cientista política. Fundadora desse site.


OBS: Imagem gerada pela IA.

 
 
 

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